domingo, 13 de junho de 2010

Viagem do Conhecimento 2010


Alunos classificados para a segunda fase da Viagem do Conhecimento 2010

Colégio Anglo Americano
1º lugar - Ana Clara Guida de Queiroz Silva 21 pontos
2º lugar - Yumi Chokyu Del Rey 20 pontos
2º lugar - Júlia Maria dos Santos Alves 20 pontos

Colégio de Aplicação UBM

1º lugar - João Pedro Ligabo da Silva 19 pontos
2º lugar - Daniel Baião Oliveira 18 pontos
2º lugar - Hisa Andrade de Sales 18 pontos
3º lugar - Marcos Vinívius de Souza Gonçalves 16 pontos
3º lugar - Patricia Maragoni 16 pontos
3º lugar - Mayana Cabral da Silva 16 pontos

Colégio Municipal Getúlio Vargas

1º lugar - Joyce Tiffani dos Santos 17 pontos
2º lugar - Luana Aparecida Ferreira de Oliveira 15 pontos
3º lugar - Fernanda Pizzarino 14 pontos
3º lugar - Ianka Lorrayne da Cunha 14 pontos

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Para recarregar o celular é só pedalar


Recarregador da Nokia usa energia cinética da bicicleta

Rio - Quem nunca se viu com pouca bateria e pediu um carregador de celular emprestado que atire o primeiro cabo USB. Na semana do Meio Ambiente, a dica da Nokia é um dispositivo que garante a bateria do celular, ajuda a perder peso e a economizar energia. Parece produto das Organizações Tabajara, mas é coisa séria: o Nokia Bicycle Charger Kit recarrega a bateria do celular usando a energia cinética de uma bicicleta.

Segundo a Nokia, 20 minutos pedalando é suficiente para recarregar uma bateria e falar durante uma hora Foto: Divulgação.O kit é composto por três peças: um dínamo acoplado à roda, um recarregador e um suporte para o telefone, preso ao guidão. O recarregador começa a funcionar quando a bicicleta atinge 6 km/h e o tempo de recarga varia de acorco com a disposição do ciclista e o telefone. Segundo a Nokia, 20 minutos pedalando a 10km/h bastam para carregar a bateria de um Nokia 1202 para uma hora de conversação ou 72 horas de stand by.

O kit é emborrachado, e, de acordo com o fabricante, é resistente a humidade e poeira, e pode ser removido ou recolocado facilmente.

O Nokia Bicycle Charger Kit está à venda no site europeu da Nokia e ainda não aparece no site brasileiro da empresa

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terça-feira, 1 de junho de 2010

Bike Bar: produzindo energia com bicicletas


Uma aglomeração se forma para ouvir a manifestação. Na praça, enquanto o orador faz seu inflamado discurso, quatro pessoas pedalam em uma engenhoca que lembra bikes ergométricas de academia. Estranho? Nada disso. É tecnologia. O esforço dos ciclistas voluntários gera energia que faz funcionar o microfone e as caixas de som do evento. Se alguém cansa, logo surge outra pessoa disposta a pedalar por uma boa causa. O Bike Bar foi criado por um grupo de tarados por bicicletas como uma alternativa de divulgar a cultura da bike, ao mesmo tempo em que gera energia para shows de ruas e eventos nos Estados Unidos. O Bike Bar pode ser alugado ou comprado e, segundo Paul Freedman, um dos criadores, “é melhor do que painéis solares e geradores movidos a biodisel, pois ele coloca pessoas pedalando juntas, enquanto assistem uma aula de culinária, um show ou o que mais precisar de energia”. E completa: “A bicicleta é mais do que um meio de transporte ecológico ou uma atividade física. Ela traz um elemento mágico de senso de comunidade para as ruas”.

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EUA investirá em asfalto solar


Os raios de Sol que fazem ferver o asfalto das estradas agora podem ter melhor serventia para os motoristas. O Departamento de Transportes dos EUA resolveu investir na criação de painéis solares para substituir a pavimentação das rodovias do país. Além de diminuir o consumo de petróleo, os painéis (de 4m2) concebidos pela empresa Solar Roadways são feitos de material reciclado (vidro, plástico e borracha) e células solares que captam a luz do Sol e a transformam em energia para – literalmente – iluminar a pista. Com luzes de led embutidas (como o protótipo acima), eles vão funcionar como um sistema inteligente para indicar as faixas de sinalização e até alertas sobre o que o motorista deve encontrar à frente – se há obras, curvas acentuadas ou as condições das estradas. “A energia captada fica armazenada por bastante tempo nas células e ajuda a derreter as camadas de neve que se formam sobre as estradas em dias de frio intenso”, afirma Scott Brusaw, criador do projeto. Os painéis ainda estão sendo testados, mas, se tiverem bons resultados, a ideia é substituir todas as vias americanas pelo “asfalto solar”. “Como cada painel produz cerca de 7 kW de energia por hora, se cobrirmos todo o nosso sistema viário, podemos suprir a necessidade energética de todos os Estados Unidos sem depender de outras fontes de energia nem causar impacto no planeta”, diz Brusaw. Sem dúvida, é mesmo um ótimo caminho para seguir.

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Green Noise produz energia a partir de barulhos altos


Buscar formas de gerar energia a partir de fontes alternativas é um desafio para a criatividade dos designers, como no caso do japonês Hung-UeiJou. Ele criou o Green Noise, um equipamento que capta as ondas sonoras produzidas pelas turbinas dos aviões (que podem chegar a ensurdecedores 120 decibéis) e as converte em energia elétrica. Essa energia fica armazenada no próprio aparelho (ainda um protótipo) e pode tanto ser canalizada para tomadas como utilizada como ponto de iluminação para as pistas dosaeroportos. Assim, o barulho dos próprios aviões alimentaria as luzes que garantem a segurança de suas decolagens e aterrissagens.

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De vento em popa


Há exatos cinco anos, o Brasil inaugurava, de modo cinematográfico, um novo sistema de negociação de energia elétrica. Na ocasião, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, uma espécie de bolsa privada de negócios designada para realizar as transações do setor, montou uma operação de segurança máxima para promover o primeiro leilão de energia do país. Os participantes da disputa - os principais executivos das empresas de geração -- foram isolados em suítes de um hotel da capital paulista. Antes de ingressar, todos tiveram de passar por detectores de metal para impedir a entrada de celulares, canetas, alianças ou qualquer objeto que pudesse ocultar transmissores ou receptores de sons, imagens ou dados. Dentro dos quartos, submetidos a uma varredura minuciosa, apenas mesas, cadeiras, computadores previamente vistoriados e um telefone que só se conectava com a central de apoio da CCEE. Uma vez na suíte, ninguém entrava ou saía antes do término do leilão. O objetivo de tantas restrições era evitar o vazamento de informação. O maior receio do governo - que havia recém-aprovado em lei o novo modelo de negociação - era que os concorrentes conseguissem combinar preços, o que colocaria por terra todo o aparato pró-competição que se tentava criar na época. Há poucos dias, o 28o leilão de energia realizado no país, exclusivamente para usinas eólicas, contou com um aparato de segurança bem mais modesto. Cada empresa se reuniu onde bem entendeu e participou da negociação pela internet. A redução da segurança, no entanto, não diminuiu o nível de competição - nem de estresse - do evento. "A maior prova de que o leilão cumpriu seu papel foi o número de participantes e o preço final da energia", afirma Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, centro de estudos de energia elétrica. Inicialmente, 341 projetos de usinas foram inscritos, embora o número de participantes que efetivamente entraram na negociação seja mantido em sigilo. Sabe-se que 71 usinas saíram vencedoras. Essas usinas ainda não existem -- por enquanto são apenas projetos que terão de ser instalados até 2012 nos estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará, Rio Grande do Sul e Sergipe para então produzir energia a partir do vento. No quesito preço, o leilão registrou o maior deságio médio de todos os realizados até agora, 21,5%. Em vez dos 189 reais por megawatt-hora médio estabelecidos como teto pelo Ministério de Minas e Energia, os contratos foram fechados por 148 reais, em média. VEJA QUADRO: Competição TotalOs preços, que surpreenderam todo o setor, foram alcançados ao final de quase 8 horas de negociações. A CCEE funciona como uma bolsa que reúne produtores de energia (as geradoras) e consumidores (as distribuidoras, que vendem energia ao cidadão comum e às empresas). Na verdade, as distribuidoras não participam diretamente do leilão -- elas informam previamente ao governo quanto de energia precisarão no futuro, e a CCEE usa essa informação para executar a comercialização. Na hora do leilão, a CCEE busca baixar o preço até o limite em que a oferta cubra a demanda. Na prática, um sistema informatizado comanda o leilão e desconta, a cada lance, um percentual fixo do preço definido como máximo. A cada redução, os participantes são indagados pelo sistema se aceitam ou não vender a energia ofertada naquele valor. Assim que todos respondem, o sistema elimina os que declinaram e verifica se a quantidade de energia ofertada atende ao volume que se pretende comprar. Enquanto a oferta permanece maior que demanda, o sistema continua baixando o preço. As reduções continuam até o ponto em que a oferta seja menor que a demanda. Aí, o jogo é invertido e os participantes chegam ao ápice do estresse. O sistema volta ao preço da rodada anterior e avisa aos participantes que eles têm 5 minutos para dar o último lance, o que significa oferecer o preço mínimo a que se propõem vender cada megawatt. Esse momento ocorreu após 75 exaustivas rodadas de descontos, que derrubaram o preço do megawatt-hora médio dos 189 reais iniciais para 155,15. "Foi uma tensão brutal, porque ninguém quer dar um preço muito baixo, mas também não quer ficar de fora", afirma Lucas Pescarmona, diretor do grupo argentino Impsa, que atua há 30 anos no Brasil.
Ficar de fora, no caso da Impsa, significaria deixar de ganhar muito dinheiro, cerca de 100 milhões de reais anuais durante 20 anos. Para começar a receber esse dinheiro, a Impsa terá de construir até 2012 as oito usinas eólicas com as quais concorreu no leilão. Juntas, elas terão 211 megawatts de potência instalada. O investimento necessário para a construção dos parques, todos no Nordeste, será de 1,2 bilhão de reais. Outras empresas vencedoras foram Eletrosul, CPFL e Renova Energia, controlada pelo Fundo InfraBrasil, administrado pelo Santander. O trabalho para participar de um leilão desse tipo começa muito antes da divulgação do edital. Na Impsa, começou há três anos e já custou 25 milhões de reais. Nesse período, a empresa alugou diferentes áreas no Ceará e no Rio Grande do Norte, onde instalou torres para medir os ventos e contratou consultorias especializadas nesse tipo de medição e também em licenciamento ambiental -- uma das regras do leilão é que só podem concorrer projetos já previamente licenciados pelos governos estaduais. Todo esse trabalho é o que permite definir o limite mínimo de preço aceitável durante a negociação. Os estudos de capacidade de produção e a engenharia financeira têm de ser rigorosos, pois qualquer erro pode implicar prejuízo. "De um lado, o leilão oferece contratos de longo prazo, o que é ótimo para os empreendedores. De outro, estabelece multas pesadas a quem não cumprir o acordo", afirma Wilson Ferreira Júnior, presidente da CPFL. Para participar do leilão, todas as competidoras tiveram de depositar uma garantia em dinheiro -- 100 milhões de reais, no caso da CPFL. "Esse tipo de regra impõe disciplina ao setor e evita a entrada de aventureiros", diz Ferreira. O sistema de comercialização de energia por meio de leilões já é usado há décadas em países desenvolvidos. O sistema inglês, do início dos anos 80, é reconhecido por muitos especialistas como um dos mais avançados do mundo. Na Inglaterra, o governo não precisa interferir nos leilões -- as próprias empresas e os consumidores entram em acordo. "Por aqui, os leilões ainda são recentes, mas têm demonstrado uma evolução significativa, particularmente pelo número de investidores atraídos", afirma Virgínia Parente, professora do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. De acordo com Mario Veiga, consultor da PSR, uma consultoria especializada no setor, o mais importante é que o governo atua na organização do processo, mas não compra nem vende nada. "O papel do governo é coletar a demanda das distribuidoras, programar os leilões e manter a demanda total em segredo até o final. O fato de ninguém saber quanto será comprado aumenta a competição entre as geradoras", diz Veiga. O modelo de comercialização brasileiro já despertou interesse em vários países. A CCEE e a Aneel já foram visitadas por diversas delegações estrangeiras de países como Colômbia, Costa Rica, Coreia do Sul, China e Tailândia. A Paradigma, empresa catarinense que desenvolveu o sistema de TI dos leilões, foi responsável pela operação do primeiro leilão eletrônico da Colômbia, meses atrás. Atualmente, está desenvolvendo o sistema para a maior empresa portuguesa de energia, a Galp, que comercializará eletricidade e petróleo nas bolsas europeias. "O sucesso dos leilões por aqui abriu as portas para a internacionalização da nossa empresa", afirma Gerson Schmitt, presidente do conselho de administração da Paradigma. O fato é que os leilões brasileiros são tidos como um sucesso por quem mais importa -- os próprios investidores, que vão produzir a energia de que o país necessita. "Um dos pontos altos desse modelo de leilão é a transparência", afirma Enrique Pescarmona, presidente do grupo Impsa, que veio ao Brasil para acompanhar o leilão. "Não enxergamos maneiras de haver acordos por baixo da mesa, principalmente quando existem centenas de participantes na disputa." Em meio a blecautes por problemas em redes de transmissão, como o ocorrido em novembro, e ainda com a memória do desastroso racionamento de energia de 2001 e a ameaça que rondou 2008, não deixa de ser um alento que empresários e especialistas em energia afirmem que o país vem evoluindo no setor elétrico. Que continue assim.

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Revolutionair: produção de energia eólica em casa


Depois de revolucionar o mundo com projetos inovadores, o designer Philippe Starck resolveu usar sua criatividade para desenvolver objetos funcionais capazes de transformar nossa vida. É o caso desta turbina eólica para uso doméstico, que transforma a força do vento em energia elétrica. Basta você instalá-la no jardim, no telhado ou na frente de casa para ter mais de 1600 kWh por ano. A Revolutionair é uma boa opção para ter em casa energia totalmente limpa, acessível (o valor varia de 2500 a 3500 euros) e fácil de usar

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Maduro para o verde?

Nada menos que 115 000 pessoas preencheram cadastro e manifestaram algum interesse na compra de um Leaf, o elétricoque a Nissan planeja lançar em dezembro deste ano. Mas, antes de comemorar o bom sinal, a Nissan parece preocupada em evitar choques futuros e pretende questionar os pretendentes sobre a maturidade da opção por um elétrico. “A Nissan quer ser transparente com os consumidores sobre as limitações e os benefícios do Leaf. O motor elétrico promete uma autonomia de 160km antes de sua bateria estar descarregada. Esse sistema será adequado para a maioria das necessidades diárias, mas não irá satisfazer todas”, diz Carlos Tavares, presidente da Nissan América. O executivo afirma ainda que o carro elétrico pode não ser o mais adequado para aqueles que percorrem longas distâncias e que não têm garagem em casa, onde poderiam instalar um recarregador. Com essa sinceridade, a Nissan quer evitar que a imagem de seu elétrico seja prejudicada por falta de entendimento da proposta. E investe pesado na conscientização do consumidor, informando tudo que ele precisa fazer para ter o carro elétrico. O caminho é longo para chegar ao Leaf. Primeiro, deposite 99 dólares para reservar o veículo. Preencha um questionário, informando seus hábitos e qual o estado da instalação elétrica de sua casa. Se você for aprovado, a reserva será descontadado valor total. É a hora de um eletricista ir atéa casa do cliente para estimar o gasto na instalaçãodo sistema de recarga. Só o recarregador custa1100 dólares, fora a fiação e os demais componentes. Passados esses estágios, lembrando sempre aproposta, é hora de assinar o cheque de 25280dólares (nos Estados Unidos) e adquirir o veículo.

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domingo, 30 de maio de 2010

O mundo com sede


Dois terços da população mundial em 2025 não terão acesso à água potável se nada for feito para evitar a escassez


A natureza pode ser irônica quando responde às agressões causadas pelo homem. Exemplo disso é a relação da humanidade com a água, o líquido mais abundante da Terra. Tratamos tão mal nosso planeta que acabamos nos colocando numa realidade catastrófica, de dupla face: ao mesmo tempo que corremos o risco de afogar nossas cidades sob a água salgada do mar, padecemos da falta de água doce.

De um lado, está o aquecimento global, com o conseqüente derretimento das geleiras e a elevação do nível dos mares, que ameaça desalojar bilhões de habitantes das zonas litorâneas. De outro, há o esgotamento das reservas de água potável do planeta. Em outras palavras, estamos chegando à mesma situação extrema de um náufrago, que se vê com água por todos os lados, mas sem nenhuma gota para beber.

Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) repetem o diagnóstico cada vez mais alarmante: mais de 1 bilhão de pessoas - o equivalente a 18% da população mundial - não têm acesso a uma quantidade mínima aceitável de água potável, ou seja, água segura para uso humano. Se nada mudar no padrão de consumo, dois terços da população do planeta em 2025 - 5,5 bilhões de pessoas - poderão não ter acesso à água limpa. E, em 2050, apenas um quarto da humanidade vai dispor de água para satisfazer suas necessidades básicas.

A escassez de água não ameaça apenas com a sede. Traz a morte na forma de doenças. Segundo a ONU, 1,7 bilhão de pessoas não têm acesso a sistemas de saneamento básico e 2,2 milhões morrem a cada ano em todo o mundo por consumir água contaminada e contrair
doenças como diarréia e malária.

A água potável é um bem raro por natureza. Quase 97,5% da água que cobre a superfície da Terra é salgada. Dos restantes 2,5%, dois terços estão em estado sólido, nas geleiras e calotas polares - de difícil aproveitamento. A maior parte da água em estado líquido encontra-se no subterrâneo. Lagos, rios e lençóis freáticos menos profundos são apenas 0,26% de toda a água potável.

É dessa pequena fração que toda a humanidade (e boa parte da flora e fauna) depende para sobreviver. É claro que, a princípio, fontes não deveriam esgotar-se, com o ciclo da água garantindo a permanente renovação do volume de rios, lagos e lençóis freáticos por meio das chuvas, originadas pela evaporação dos mares. A água está em eterna reciclagem, há bilhões de anos. A questão é o descompasso entre o tempo necessário para essa renovação e o ritmo em que exploramos os recursos hídricos.

DESEQUILÍBRIO

O primeiro problema é o desequilíbrio na distribuição - um desequilíbrio que começa pela geografia física e segue pela economia. Alguns países têm muito mais água do que sua população necessita. É o caso do Canadá, da Islândia e do Brasil. Outros são situados em regiões extremamente secas, como o norte da África, o Oriente Médio e o norte da China.

Como resultado dessa má distribuição, um canadense pode gastar até 600 litros de água por dia, enquanto um africano dispõe de menos de 30 litros para beber, cozinhar, fazer a higiene, limpar a casa, irrigar a plantação e sustentar os rebanhos.

As populações que habitam as áreas mais áridas da Terra vivem o que se chama "estresse hídrico", uma reunião de fatores ambientais, como falta de chuvas, e socioeconômicos, como crescimento demográfico alto, que resulta em gente demais para água de menos.

A África Subsaariana não é de todo desprovida de recursos hídricos. Essa parte do continente é atravessada por grandes rios e, ainda que algumas áreas sofram períodos de seca, o índice pluviométrico de boa parte é alto. O problema é que os países da região não têm recursos de infraestrutura para aproveitar mais do que 3,8% do total de vazão de seus rios. Resultado: mais de 94% da água potável volta para o mar sem atender às necessidades da população.
Por essa razão, 22 desses países estão na lista dos 24 com maior estresse hídrico. São nações de acelerado crescimento demográfico e de poucos recursos para proteger os mananciais e oferecer saneamento básico aos habitantes. Em algumas localidades, um homem é obrigado a sobreviver com 10 litros de água por dia - pouco mais que o volume de água que escorre pelo esgoto a cada vez que um brasileiro usa a descarga.

Um dos cenários mais apavorantes de estresse hídrico é o que pode atingir a China, em 20 anos.


O país reúne 20% da população mundial, mas detém apenas 7% dos recursos hídricos do planeta.


O volume per capita de água ali é de um quarto da média mundial.

Metade do total de 660 cidades chinesas já sofre com a escassez e em 100 delas a falta é extrema. No norte árido, a extração de água do subsolo exauriu os lençóis freáticos. No sul, onde os recursos hídricos são mais abundantes, despejos industriais, de fertilizantes e esgoto doméstico já poluíram as águas dos sete maiores rios e contaminaram 25 de seus 27 grandes lagos. De cerca de 1,1 mil mananciais analisados, 25% apresentam água com qualidade abaixo dos padrões mínimos de potabilidade.

Segundo o Banco Mundial, se persistir a tendência de crescimento demográfico e industrialização, a China terá, em 2030, 30 milhões de habitantes sem água para matar a sede.

A escassez de água se deve, principalmente, ao mau uso que se faz dela. Estima-se que no mundo, de cada 100 litros de água utilizados, 60 se percam por causa de maus hábitos ou técnicas ineficientes. Exemplo disso é o desaparecimento do Mar de Aral, o lago salgado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central. O lago, que era o quarto maior do planeta, possuia área equivalente à dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas, juntos, era até a década de 1960 um oásis na região deserta. Até que o governo da então extinta União Soviética resolveu desviar dois rios que desaguavam no lago para irrigar plantações de algodão. Hoje, o Aral já perdeu quase 70% de sua extensão e três quartos do volume de água.

O desastre foi completo, com extinção de espécies de peixes e de animais que viviam em suas margens, destruição da floresta que o cercava e supersalinização do solo, tornando-o improdutivo para sempre (veja mapa da escassez no mundo).

DESASTRE ABIENTAL

O triste episódio do Aral - considerado por muitos o maior desastre ecológico de todos os tempos - mostra quanto a agropecuária é responsável pela crise. Ainda que as técnicas de plantio e irrigação tenham melhorado, as plantações consomem, em média, 69% da água do planeta. Para produzir 1 quilo de carne bovina são gastos 15 mil litros de água, e 1 quilo de trigo consome 1,5 mil litros.

Além disso, 60% da água usada na irrigação se perde ou porque evapora ou porque volta aos rios e lençóis subterrâneos. O restante é dividido entre a indústria, que consome 21%, com processos que poderiam ser melhorados, e o consumo doméstico, responsável por 10% do total.

Medidas simples, como arrumar aquela torneira da pia da cozinha que não pára de pingar ou reduzir o tempo de banho, podem resultar em até um terço de economia. Nas cidades, uma boa quantidade de água é perdida, ainda, em vazamentos: as estimativas indicam que algo entre 30% e 70% da água que sai de um reservatório não chega a nenhuma torneira, mas escoa por encanamentos malconservados.

Não é à toa que a água é disputada a bala. Há relatos de guerras declaradas em nome da água que datam no Egito Antigo. Segundo a ONU, existem mais de 200 bacias hidrográficas disputadas ou compartilhadas por 145 países. O Oriente Médio é pródigo nessa disputa. Há décadas, israelenses, palestinos, sírios e jordanianos brigam por água.

O motivo da disputa entre israelenses e palestinos são os lençóis da Cisjordânia. Até 1967, os palestinos tinham acesso a eles livremente. Mas a ocupação israelense acabou com isso. Israel também ocupou as Colinas de Golã, da Síria, onde ficam as nascentes do rio Jordão. Líderes de países da região, como Egito e Jordânia, já disseram que a guerra é aceitável para defender suas fontes de água.

Mesmo regiões regadas por rios e lagos já apresentam disputas por água. Em 1991, a Hungria e a Tchecoslováquia submeteram à Corte Internacional de Justiça sua contenda sobre os desvios e a construção de diques no rio Danúbio, e um acordo foi assinado.

Assim como esse documento, existem mais de 3,8 mil declarações e convenções unilaterais ou multilaterais sobre o uso da água. Desse total, 286 são tratados e 61 referem-se às bacias ocupadas por mais de um país. É o melhor modo de resolver a questão. Afinal, como a ONU diz, as lutas armadas por água são batalhas em que não há vencedor.

Ninguém tem uma solução mágica para a crise da água. Mas os especialistas são unânimes em afirmar que a única saída é aprendermos a gerir os recursos hídricos. Ainda mais se levarmos em conta o crescimento populacional. Do início ao fim do século XX, o consumo de água aumentou seis vezes - duas vezes acima do crescimento da população no mesmo período.

E a ampliação da população vai exigir mais água daqui para diante. Estima-se que, para alimentar os 8 bilhões de terráqueos em 2030, a produção de alimentos suba 60% - o que requer um aumento de 14% no consumo de água, comprometendo ainda mais o acesso à água para outras finalidades.

O alto índice de urbanização também demandará mais água para as cidades. O aumento da industrialização nos países em desenvolvimento exigirá mais energia, e mais hidrelétricas e barragens serão construídas, alterando o curso de mais rios - o que é um problema não mais só para o homem, mas também para as espécies vegetais e animais.

Segundo a organização ambientalista WWF, apenas um terço dos 177 rios com mais de mil quilômetros de extensão flui livremente para o mar. Barragens e represas, associadas à poluição das águas, colocam mais de 3 mil espécies entre as ameaçadas de extinção. Melhorar as condições sanitárias exige investimentos de 11,3 bilhões de dólares por ano.

Sem isso, a ONU não acredita que seja possível cumprir os objetivos assumidos por 191 países em 2000, na Declaração das Metas de Desenvolvimento do Milênio: estancar a pobreza, a fome, a mortalidade infantil, as doenças e a degradação ambiental até 2015.

A ÁGUA É NOSSA

O Brasil tem água potável suficiente para abastecer cinco vezes a população da Terra. Mas a distribuição pelo território nacional não é equilibrada.

Os números sobre os recursos hídricos brasileiros são um exagero. Os rios que cortam o Brasil carregam 12% do total de água doce superficial do planeta - o dobro de todos os rios da Austrália e Oceania, 42% a mais que os da Europa e 25% a mais que os do continente africano.

Mesmo contando com as épocas de seca, em que os rios reduzem muito sua vazão, temos água para satisfazer as necessidades do país por 57 vezes. Com todo esse volume, seria possível abastecer a população de mais cinco planetas Terra - 32 bilhões de pessoas -, com 250 litros de água para cada um por dia.

Mas, como ocorre em outras partes do mundo, aqui também os recursos hídricos são mal distribuídos: 74% de toda água brasileira está concentrada na Amazônia, onde vivem apenas 5% da população. Uma característica que as bacias têm em comum: todas sofrem com algum tipo de degradação por causa da ação do homem.

Afim de gerenciar os recursos hídricos brasileiros, a Agência Nacional das Águas (ANA) divide o país em 12 regiões hidrográficas, que correspondem a 12 bacias (veja o mapa). É com base nessa divisão que o governo federal calcula e gerencia a relação entre a oferta e a demanda de água no país. A gestão da rede hídrica nacional é fundamental para evitar a destruição dos recursos naturais e a repetição dos episódios de racionamento e blecaute que afetaram algumas regiões do país mais de uma vez.

A cada segundo, o Brasil retira de seus rios somente 3,4% da vazão total. Mas apenas pouco mais da metade disso é efetivamente aproveitada e não retorna às bacias. A região hidrográfica que mais consome água é a do Paraná, responsável por 23% do total. Na região Atlântico Nordeste

Oriental, onde a maioria dos cursos de água é intermitente, as retiradas superam a disponibilidade hídrica.

Em algumas localidades, a água disponível por habitante não supera os 500 metros cúbicos por ano. Isso significa que cada cidadão da região sobrevive com um volume de água equivalente a um terço do volume que caracteriza o estresse hídrico, segundo a ONU: 1,7 mil metros cúbicos por ano. Como ocorre no restante do mundo, a maior parcela da água consumida no país vai para a agricultura (veja o gráfico).

Aparentemente, sabemos tirar proveito da nossa riqueza hídrica. Mas ainda não conseguimos gerenciar adequadamente esses recursos, de modo a preservar sua quantidade e qualidade.

Exemplo disso é o que ocorre nas regiões hidrográficas Tocantins-Araguaia e do Paraguai. A generosíssima oferta de água transforma a Região Centro-Oeste numa potência agropecuária. Ao mesmo tempo, o avanço das fronteiras agrícolas provoca imensos desmatamentos na floresta Amazônica, alterando o regime das chuvas, comprometendo a vazão dos rios e sobrecarregando os recursos naturais do Pantanal.

Muitos têm acesso à água - na média, 89% dos domicílios contam com abastecimento -, mas poucos possuem coleta de esgotos - 54% dos lares brasileiros. Pior, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnub, de 2006, 20% da população mais rica dispõe de serviços de saneamento comparáveis aos de países desenvolvidos. No entanto, os 20% mais pobres vivem como o mais miserável vietnamita. O resultado disso é que os rios brasileiros recebem a cada dia, em média, um volume de esgoto doméstico 150 vezes maior que o produzido por uma cidade de 1 milhão de habitantes, como Campinas, no interior de São Paulo. Um terço do total desse despejo ocorre nos rios da bacia do Paraná que cortam áreas densamente povoadas.
Também somos mestres em obter energia a partir da força das quedas-d'água - cerca de 15% da energia que move a economia brasileira vem de hidrelétricas, consideradas limpas por não produzir resíduos ao ser gerada. No entanto, a construção de represas degrada ecossistemas e compromete a vazão dos rios.

Um estudo da organização ambiental WWF mostra que quatro grandes rios brasileiros - Madeira, Xingu, Paraguai e Araguaia - têm o fluxo ameaçado por projetos de construção de barragens. Segundo os ambientalistas, essas barreiras ao livre fluxo da água alteram o transporte de sedimentos e nutrientes pela correnteza, afetando diversos habitats e comprometendo a biodiversidade.

O DESVIO DO VELHO CHICO

De todos os projetos do governo para os rios brasileiros, o mais polêmico é a transposição de águas do São Francisco. O plano é desviar uma pequena parte da água do Velho Chico por canais e tubulações até as zonas semi-áridas do Ceará, de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

As críticas partem de todos os lados: ambientalistas, políticos, engenheiros e entidades de classe como a Ordem dos Advogados do Brasil. O temor maior é que as regiões banhadas pelo São Francisco passem pela mesma degradação ambiental sofrida pelo Aral, que vem secando inexoravelmente desde que dois rios que o abasteciam de água foram desviados para irrigação.

Questiona-se também até que ponto a obra vale a pena, pois beneficiaria apenas 5% da área do semi-árido, de solo pouco fértil, e poderia, em contrapartida, afetar as regiões que já contam com as águas do rio para abastecimento, irrigação e produção de energia. Além disso, os críticos acham que o desenvolvimento do semi-árido não depende de disponibilizar mais água, pois os açudes contêm o suficiente para o consumo.

Eles também não acreditam que a água transposta seja destinada prioritariamente ao consumo humano, em pequenas comunidades, pobres e isoladas, como deveria ser, mas, sim, à agricultura, geralmente nas mãos de quem tem poder político.

O governo garante que apenas o excedente do consumo humano será destinado à agropecuária e ainda se defende afirmando que a obra desviará apenas 1% do total de água que o São Francisco despeja no mar e, com isso, não alterará o abastecimento das regiões com acesso exclusivo ao São Francisco. Ao contrário, atenderá 9 milhões de brasileiros do semi-árido e transformará mil rios intermitentes em perenes.

No fim de junho, um batalhão de engenharia e construção do Exército deu partida à primeira fase das obras, ainda sob protesto e muitas dúvidas sobre sua eficácia e necessidade - dúvidas que persistem há mais de 150 anos, quando a transposição do Velho Chico foi proposta pela primeira vez, em 1847, por dom Pedro II.

UM MAR DE ÁGUA DOCE DE BAIXO DE NOSSOS PÉS

Não bastasse o recorde de águas superficiais, o Brasil abriga também extensas reservas de água subterrâneas - 27 aqüíferos, ao todo. O principal reservatório é o Aqüífero Guarani. Do 1,2 milhão de quilômetros quadrados de área total, 70% ficam em subsolo brasileiro, estendendo-se por oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os restantes 30% dividem-se pelos territórios uruguaio, paraguaio e argentino. Estima-se que o grande lago guarde 45 mil quilômetros cúbicos de água de excelente qualidade, o suficiente para abastecer de maneira sustentável 500 milhões de pessoas, mais que o dobro da atual população do Mercosul. Mas até hoje a exploração dessa reserva foi desordenada, o que leva ao desperdício e à ameaça de contaminação das águas por resíduos químicos provenientes, principalmente, de fertilizantes usados nas lavouras do Centro-Oeste e do oeste paulista.

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram descobertos mais de 500 poços artesianos abandonados e abertos - o que permite a entrada direta de água de enxurradas. Afim de preservar esse valioso recurso, os quatro países "donos" do Guarani começaram a mapear o aqüífero, estratégico para o abastecimento do Cone Sul.

O Projeto de Proteção Ambiental e Manejo Sustentável do Aqüífero Guarani visa a traçar um plano de exploração num ritmo compatível com sua reposição natural, por infiltração pelo solo.

RESUMO

ESCASSEZ NO MUNDO >> As reservas de água potável estão se esgotando rapidamente no mundo todo. Por um lado, a má distribuição natural dos recursos hídricos pelo planeta faz com que as populações de algumas regiões tenham mais água do que o necessário e outras precisem sobreviver com volume abaixo do considerado aceitável para uma vida saudável. O estresse hídrico - o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de água em determinada região - tem como motivo, também, a poluição dos rios e lagos. A ONU estima que mais de 1 bilhão de pessoas já vivam com pouca ou nenhuma água. As nações mais afetadas estão na África Subsaariana, no Oriente Médio e na China. A carência de água compromete a produção de alimentos, o crescimento econômico e a saúde da população. Cerca de 2,2 milhões de pessoas morrem anualmente em razão de doenças causadas por água infectada.

FARTURA NO BRASIL >> O Brasil detém 12% de toda a água superficial do planeta. Os rios que compõem as 12 regiões hidrográficas brasileiras carregam água suficiente para satisfazer as necessidades do país por 57 vezes. Mas aqui também existe grande desequilíbrio: 74% da água brasileira concentra-se na região da Amazônia, onde a densidade demográfica é muito baixa. Enquanto isso, áreas de alta concentração humana, como Sul e Sudeste, vivem perto do racionamento. E outras, como o sertão nordestino, dependem de rios intermitentes, que secam durante a estiagem. Todas as bacias sofrem, mais ou menos, alguma degradação, quer em razão da poluição por esgoto doméstico ou despejo industrial, quer por devastação das matas ou por atividades de mineração.

AQÜÍFERO GUARANI >> Tem água suficiente para abastecer 500 milhões de pessoas e está sob o solo de oito estados brasileiros. Também é ameaçado de contaminação pela grande exploração desordenada.

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sábado, 29 de maio de 2010

Uma imagem vale mais que mil palavras



















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